A notícia abaixo é de ontem, 16 de fevereiro deste 2017.

http://blogs.oglobo.globo.com/pagenotfound/post/homem-deixa-namorada-ir-para-cama-com-outros-e-aceita-se-manter-fiel.html

Nela um rapaz aceita um relacionamento aberto e ao mesmo tempo escolhe permanecer fiel, enquanto a garota diverte-se com outros homens.

Segundo o rapaz, a decisão foi “abafar o sentimento negativo por amor”.

Como um vento que sopra sobre o mar sem destino, minha mente viaja buscando como isso se tornou possível: Como o absurdo se tornou real?!

Esta é a prévia da mulher proposta por Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo.

Huxley foi um profeta, um gênio inspirado.

Outra obra me vem à mente, O Estrangeiro, do Albert Camus, no qual o sujeito perde a alma e se torna algo estranho, indiferente a tudo ao seu redor, sem valores e consequentemente sem sentimentos.

Enquanto Camus não estava escrevendo nada político ou filosófico no sentido estrito, Huxley estava, e sabia o que estava fazendo; ambas obras se encaixam com perfeição.

A única forma deste rapaz não se sentir como afirma, seria tornando-se Meursault, de O Estrangeiro de Camus, como é impossível isso, resta-lhe a consequência de sua fraqueza, de não ser capaz de dizer um não e assumir uma posição: A recompensa do fraco de caráter é sempre a dor prolongada.

Já para a garota me vem à mente O Retrato de Dorian Gray, do Oscar Wilde, que definha sua alma em prazer sem compromisso, em direito sem dever, até perceber no final do caminho que sua dignidade morreu junto com sua história, e sua essência se perdeu, para nunca mais ser encontrada.

Essa coisa toda pra mim que começa com Nicolau Maquiavel, quando afirma em A Mandrágora, que “Os fins justificam os meios”, transformando o psicopata, isento de sentimento de culpa, em símbolo de inteligência e perspicácia, anulando hipoteticamente o valor da verdade ao distorcer seu objetivo amplo para um fim material imediato e pontual num universo fictício no qual a alma não importa: Dali pra frente, muita gente compra a ideia, inclusive Karl Marx, que a segue religiosamente, a religião do prazer imediato, o materialismo histórico como fonte da verdade e a meta da história como mero conforto econômico, então tudo é permitido e a alma é acessório mitológico, a ideia sobe para Frankfurt que engravida e pari a revolução cultural contemporânea.

É explorando essa linha, que Huxley prevê profeticamente o Admirável Mundo novo: A garota da notícia é Lenina Crowne e o rapaz é seu pretendente Bernard Marx, que não se conforma que ela seja incapaz de amá-lo, que só se lembre dele para sexo, e que transe com outros esportivamente, ignorando que ele seja ele um macho alfa.

O futuro proposto por Frankfurt, é esse.

Bem vindos ao Admirável Mundo Novo.

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