Bruno Gagliasso dramatizou muito bem o assassino em série em Dupla Identidade.

É natural uma vez que psicopatia é ausência de culpa e sociopatia é ausência de sentimentos morais, e isso não está distante de sua psiquê.

O ator estava representando a si mesmo em um contexto diferente; o que fica claro quando observado o charlatanismo expresso em suas opiniões políticas.

Aliás, quase a totalidade da classe artística comporta-se como portadora da verdade dos fatos, transformam-se em agentes políticos investidos de uma autoridade intelectual que jamais tiveram, como profetas de um ideal em nome de toda uma sociedade que jamais os nomeou senão como meros artistas.

O mesmo se passa com Junior Lima, cuja obra consiste em não ser obra; mero coadjuvante ocasional e perfeitamente dispensável de sua irmã (esta sim com talento), e filho de um grande e reconhecido talento musical, Xororó, este sim um alguém que compõe a identidade cultural brasileira recente.

Junior não apenas não significa nada, mas consegue ser o retrato da vergonha dos esquecidos e insignificantes que comportam-se como majestosos vivendo à sombra de outrem.

Tanto Junior quanto Gagliasso tem seu destino anunciado e inexoravelmente traçado: o desprezo das gerações futuras destinado a todos aqueles cujas ações não compõe a história de um povo.

O conceito de agente histórico implica que as ações dos agentes da história tenham impacto cultural profundo na sociedade ao ponto de mudar seus rumos para sempre, tornando-se irrevogáveis, só nisto consiste a importância de seus atos; no cenário cultural são exemplos de agentes históricos, José Bonifácio, Machado de Assis, Lima Barreto, Joaquim Nabuco, e Osvaldo Aranha.

Não há um único militante ou ativista da classe artística atual capaz de compreender o complexo cenário político brasileiro e explicar qualquer coisa, do mais simples e irrelevante detalhe real e imediato ao mais utópico sonho esquerdista.

Ambos manifestam-se contra Bolsonaro rotulando-o de machista, misógino, homofóbico, e xenofóbico, que no final expressam intolerância em todo conjunto adjetivo e não mais que isso, para no final culminar na acusação de fascismo, ao passo que ambos (tanto quanto a quase totalidade da classe artística) sabem que são incapazes de explicar fenômenos objetivos e históricos como fascismo, comunismo, nazismo e positivismo, (entre outros) na mesma medida que são incapazes de explicar em profundidade as pautas que defendem apresentando-se como mestres do assunto:

  1. Quais as verdadeiras intenções e objetivos por trás da militância LGTB?
  2. Quais as implicações culturais na relativização de termos como “casal”?
  3. Quais as implicações de ordem jurídica resultantes de uma mudança social profunda como casamento homossexual?
  4. Quais os pilares sociais do casamento?
  5. Qual a dialética imposta em proporções demográficas do impacto social?

A lista acima não constitui sequer a introdução das questões relacionadas ao assunto.

É necessário que toda classe artística seja sabatinada para demonstrar sem resquícios de dúvida, que não passam de pessoas comuns, e que não possuem nada a oferecer em termos culturais além de seu próprio trabalho artístico vigente; no caso de Gagliasso até um bom ator em certos casos, no caso de Junior que apresente sua obra para que seja avaliada, pois até agora nada foi apresentado.

Ou o brasileiro pára de uma vez de dispensar atenção a esse tipo de manifesto, ou está condenado ao socialismo.

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