A história se passa no começo de um apocalipse zumbi, no qual personagens com pouca ou média personalidade e muito estereótipo confluem por encontrar-se em um trem, onde tudo acontece durante uma viagem, a missão é sobreviver, lidar com seus valores, encarar suas falhas e de certa forma reeducar-se, trata-se de pouca aventura em si, mas de muita reflexão exposta de forma sutil.

O diretor sul coreano Sang-Ho Yeon orquestrou os recursos com técnica razoável, fotografia boa, trilha sonora boa, tudo em termos técnicos apenas razoável, nada ótimo ou excelente, mas apenas bom. O destaque e o ponto alto é a mensagem por trás da história, que assim como em “The Walking Dead”, não se trata de uma mera aventura em um universo de fantasia zumbi, mas de uma proposta de raciocínio sobre onde realmente reside a humanidade, sobre o que realmente nos faz humanos, sobre o que nos separa dos animais irracionais e selvagens; sobre exercer isso ou tornar-se ainda vivo um animal, uma besta.

Do elenco, entre os protagonistas está Gong Yoo, protagonista central que atuou bem, não ótimo, não excelente, mas bem; o péssimo pai, ausente e distante da filha que tem que lidar com sua criação, encarar a realidade, repensar seus valores, e aprender o que realmente vale a pena, é na prática a sub-trama central. O destaque do elenco é Eui-Sung Kim que como vilão convence mais que qualquer outro personagem, é o melhor do elenco; seguido do coadjuvante Dong-seok Ma, que como futuro papai embora não encarne o personagem completamente consegue ser lá ainda razoável e satisfatório.

O filme gira todo em torno de possibilidades que levam o expectador a raciocinar sobre o que vale ou não a pena na vida, e nisso está de parabéns, a mensagem foi transmitida com sucesso; exclusivamente por isso o filme vale a pena.

Quem espera uma grande aventura experimentará uma aventura apenas razoável, não com a maestria de suspense sinistra de um Robert Kirkman, mas com um pouco da tragédia cruel de um George Romero, e ainda uma pitada de um elemento inteligente e criativo, novidade que essa que registra a marca de Sang-Ho Yeon.

Há massa crítica em Invasão Zumbi, diferente do oportunista “The Walking Dead in the West” que decepcionou todo mundo, e do previsível e comercial, emocionante e de proporções continentais “Guerra Mundial Z”; Yeon bebeu da fonte Romero, quem conhece o gênero zumbi, sabe identificar a linhagem cruel, trágica e reflexiva.

Entre erros e acertos, a preocupação e o respeito com a mensagem principal orientaram a obra que cumpriu seu papel: vale a pena assistir.

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