Real, esta é a palavra certa para definir a angustiante experiência de O Regresso.

A narrativa se passa em 1823, Hugh Glass é um explorador e comerciante de peles com flashes de memórias dolorosas, pai de um garoto índio, é traído por seu companheiro e deixado para trás para morrer, então retorna numa viagem digna de comparação à Odisseia, em um busca por vingança. A história de Hugh Glass é verdadeira, e embora o filme seja uma adaptação, nada deixa a desejar para a realidade.

Em termos técnicos, além da fotografia maravilhosa de Emmanuel Lubezki em tons de aflição, a direção de arte de Jack Fisk fez um milagre de harmonia sobrepondo as melancólicas trilhas sonoras Ryuichi Sakamoto & Alva Noto com a força dos efeitos sonoros, harmonia esta que deu vida à todas as cenas de violência.

Lubezki é a evolução de Tarantino, é o que Tarantino deveria ser se fosse sério; reparem que não me referi às cenas como “ação”, mas como “violência”, é disso que se trata: crueza.

O filme foi feito para ser sentido, do ataque de urso ao desenho das personalidades das tribos indígenas, que entre boas e más, deixam claro que não há santos em parte alguma, e que a cultura de que todo índio se torna um velho sábio em Hollywood, é puro engodo.

Leonardo DiCaprio surpreendeu muito, para quem está acostumado a vê-lo na pele dos garotos mimados cujo maior problema é não ter problemas, aqui ele se tornou um homem de verdade e mostrou para que veio, a curva dramática foi vivida com maestria.

Se há uma mensagem proposital por trás da narrativa, essa é a dos valores que um verdadeiro homem deve possuir, isso fica muito claro.

Prepare-se para isto: a verdade gela sua alma e te faz acordar.

O filme não é bom, nem ótimo, é excelente.

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