O Brasil engatinha em estratégia política, os players são incapazes de enxergar as questões com profundidade e medir consequências, e o país paga o preço.

Para desenvolver o paragrafo acima é necessário antes mostrar qual o cenário ideológico vigente.

Ideologicamente, já há no Brasil hoje consciência do espectro político, este está dividido entre esquerda e direita, e na esquerda encontram-se dois tipos, duas linhagens:

  • Marxistas ortodoxos adeptos de revolução violenta que conduz à ditadura do proletariado de diversas correntes (como maoistas, stalinistas, leninistas, trotskystas, castristas, entre outros).
  • Marxistas não ortodoxos, que buscam os mesmos objetivos dos anteriores, mas por outros meios menos violentos, como graduais modificações na cultura e nas leis (nessas correntes se encontram os social democratas, gramscistas, frankfurtianos, etc).

A direita está dividida entre liberais e conservadores.

  • Liberais acreditam no livre mercado, na economia como norte social.
  • Conservadores acreditam em uma economia capitalista, mas com a preservação dos princípios civilizatórios ocidentais: a justiça romana, a filosofia grega, e a religião judaico-cristã.

Em termos de representatividade, a emergida direita que completa alguns poucos anos, possui um único nome potente, Jair Bolsonaro, conservador, os liberais não possuem um candidato, enquanto todo resto é assumidamente esquerda.

Pela lógica, é imediatamente dedutível que liberais e conservadores se unirão contra marxistas ortodoxos ou fabianos, mas na realidade isso não acontece.

Aqui está o ponto importante a se entender.

Os marxistas não ortodoxos, que buscam revolução por meio cultural, legal, ou outros, são geralmente chamados de “fabianos“, às vezes legitimamente, outras vezes não, mas é comum que essa revolução sem dor, no melhor estilo água com açúcar, ou seja, gradual e imperceptível, receba esse apelido.

Tanto marxistas ortodoxos quanto socialistas fabianos querem a mesma coisa, “fazer o comunismo“, apenas tem métodos diferentes. Embora discordem e briguem muito entre si, quando surge uma situação hostil unem-se sem hesitação.

Se por um lado os meios dos ortodoxos não são democráticos, os dos fabianos são, servem-se da democracia para enganar, conquistar posições e ganhar terrenos, exemplo disso é o Estatuto do desarmamento.

Nunca é demais lembrar que o termo “socialismo” representa um “estágio de transição do capitalismo para o comunismo“, e que marxistas ortodoxos querem luta armada, enquanto fabianos querem por outras vias.

No fabianismo, a regra geral é manter a economia capitalista funcionando enquanto alcançam-se posições no âmbito social.

Esse ponto de manter a economia capitalista funcionando e manter-se na via democrática, do debate e do voto, mesmo sob mentiras, conquista a atenção e respeito de parte da direita, sobretudo dos liberais.

Para os liberais, o importante é o mercado, a economia capitalista funcionando, sem ligar muito para pautas sociais, pois acreditam que sob uma economia sã todo resto da sociedade se equilibra sozinha, sem interferência do estado, ou de religiões.

Se para os conservadores os fundamentos civilizatórios são importantes e a economia em segundo plano, para os liberais é inverso, a economia vem primeiro.

Se para os marxistas ortodoxos não há necessidade de mentir, afirmando abertamente que desejam a morte dos adversários políticos (como o recente Mauro Iasi, entre outros exemplos abundantes), por outro lado para os fabianos isso é uma necessidade, pois sua via é democrática e não luta armada, e nesse ponto os liberais param para os escutar e ponderar, desconsiderando seus fins, e assim, como manter a economia capitalista funcionando faz parte do modus operandi fabiano, os liberais os abraçam e viram-se contra os conservadores, foi assim com FHC no Consenso de Washington, poucos anos atrás.

Em outras palavras, a tendência é liberais unirem-se aos socialistas fabianos, e ficarem contra os conservadores; formando a figura final de um espectro político eleitoral no qual marxistas ortodoxos, socialistas fabianos e liberais, estão juntos, abraçados no mesmo balaio, e do outro lado os conservadores, sendo que o único candidato conservador é o Bolsonaro, a melhor figura de representação é a expressão “todos contra um“.

O cenário real representativo

No Brasil, como eu já disse, não temos liberais candidatos a coisa alguma, mas temos fabianos a granel, marxistas ortodoxos quase no mesmo número, e apenas um conservador, o Bolsonaro.

Cada vez que acontece uma briga entre pessoas importantes na direita, quem sai perdendo é ele.

Como Bolsonaro não se deixa enganar pelo engodo fabiano, é sempre chamado de radical e tem atribuída à sua pessoa o estigma de violento; é uma sacanagem, uma forma de argumentum ad hominem, no qual deixam-se os argumentos de lado e partem para agressão ao argumentador.

Como urubus esperando o corpo cair no campo, ou lobos esperando que o cordeiro se desgarre do rebanho, toda a esquerda espera por uma única respiração do deputado, basta uma piscada, para acionarem toda uma rede de ativismo e militância midiática e em ambientes virtuais, para o difamar sistematicamente; fazer o serviço sujo.

Isso é o que acontece cada vez que um direitista briga feio com outro; um dos dois tenta parecer o democrático ponderado moderado cheirosinho, para fazer o outro parecer malvadão, ignorante, violento. Adivinhem quem paga a conta das brigas da direita? Sim, o próprio Bolsonaro, é para sua campanha que é canalizada toda a pontuação negativa, e a ele cabe sempre administrar esse peso todo, sozinho, mesmo que nada tenha a ver com as brigas entre os direitistas.

Exemplificando, suponha que Constantino brigue com Alexandre Borges, quem paga a conta é o Bolsonaro, que nada tem a ver com a história, o episódio será sempre levado como o exemplo de que seus eleitores são dignos de exclusão social, que são violentos, e todo papo furado esquerdista.

Por outro lado as brigas são necessárias, pois há infiltrados na direita e precisam ser desmascarados, um por um, e não há como fazer isso carinhosamente.

É inaceitável a meu ver que liberais não saibam o que é um fabiano, se for por ingenuidade então não servem para a política (política não é lugar de ingênuo), e se for por mentira que se assumam logo, e de ambas as formas é falta de caráter, pois ingênuos e mentirosos, só atrapalham quem está fazendo um trabalho sério.

Está na hora dos liberais acordarem, serem desmascarados junto com a esquerda, ou dos conservadores manifestarem-se contra esta sujeira? Talvez todas as medidas juntas.

O que não dá, é pro Bolsonaro continuar pagando essa conta sozinho.

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