O documentário escrito e dirigido por Ilinca Calugareano, narra a influência do cinema no processo que levou à queda do regime comunista sob Nicolae Ceauşescu na Romênia; o trabalho de Irina Nistor e Theodor Zamfir, que influenciaram culturalmente o povo e foram na prática os responsáveis pelo despertar das consciências para existência de um mundo livre, fora da propaganda comunista permanente.

Irina Nistor foi a única voz conhecida, a única tradutora e dubladora, traduziu e dublou mais de 3000 filmes até 1989, adorada pelo povo sem jamais ficar conhecida.

Theodor Zamfir relacionado ao alto escalão comunista, era quem conseguia os filmes e a pagava para fazer o trabalho de tradução e dublagem, tudo em segredo, um homem do governo contra o governo.

O documentário narra a paranoia gerada pelo serviço estatal, a polícia ideológica, de olho em cada olhar, em cada respiração das pessoas, e o clima de medo numa tensão permanente da população.

É impressionante conceber que o serviço estatal praticava a censura a cada pequena mensagem audiovisual: se numa mesa posta para refeição houvessem produtos de consumo básico, a cena seria cortada pois havia ali a mensagem de que o ocidente era próspero, para se ter uma ideia do nível que a censura descia.

A censura pesava especialmente sobre os filmes religiosos, havia a aberta perseguição aos cristãos e à igreja, e a punição era sempre muito mais rigorosa nesses casos.

Como meio de acesso ao cinema, a autora narra o engraçado tráfico de filmes em VHS como se tratasse de armas ou drogas, inimaginável para nós que vivemos em um mundo muito mais livre.

Como consequência do trabalho de Zamfir e Irina Nistor, no final das contas, o documentário aprofunda-se na influência dos exemplos heroicos do cinema em suas almas modificando instantaneamente suas vidas e seus cotidianos, filme a filme, com a vontade de vencer, de fazer algo importante ainda que pequeno. Influência essa que foi essencial para queda do regime em 1989, as pessoas acordaram graças à cultura trazida pelo tráfico de VHS.

A menção ao Chuck Norris, dá-se por Braddock – O Super Comando de 1984, e sua luta contra o comunismo no Vietnã, filme que os cidadãos contam com lágrimas nos olhos, o exemplo de um herói lutando contra o regime, sim, o regime que estavam vivendo naquele exato momento.

Tecnicamente o documentário nada deve aos mais bem produzidos do mercado, o elenco é maravilhoso quando atua, os depoimentos são sinceros, nada é forçado ou exagerado, a fotografia é uma penumbra necessária à uma época de pouca luz, a trilha sonora harmoniza cada instante e emociona, e a edição que no caso de documentários é geralmente mais exigente foi feita com maestria.

De onde vejo, é impossível assistir esse filme e continuar respeitando a esquerda, seja a esquerda light fabiana, ou seja a marxista ortodoxa, uma vez que ambas possuem o mesmo objetivo diferindo apenas em métodos: o cenário atual é de uma guerra cultural incansavelmente ensinada pelo professor Olavo de Carvalho em cursos e livros, dedicados à abrir os olhos das pessoas para o tamanho do problema que estamos atravessando enquanto é ainda tempo de agirmos.

“See this documentary! The power of film! To change the world.”

“Veja este documentário! O poder de um filme! Para mudar o mundo.”

– Tom Hanks (1 de junho de 2016)

O comunismo tem acima de tudo, medo da informação: o efeito que um simples filme, livro, peça de teatro, ou música, exerce sobre uma pessoa, ou seja, a inspiração que brota, é tudo que é necessário para que grandes almas se manifestem no cotidiano.

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