Toda leitura steampunk do cinema quando adotada de forma simbólica remete a uma heresia tremenda.

A ideia de que o homem pode fazer o bem sem Deus, numa espécie de código moral anarquista, antropocêntrico, em parte científico e em parte metafísico, se por um lado confronta Jesus que diz: “Sem Mim nada podeis fazer”, por outro lado Dele recebe favores sem os quais as situações jamais se solucionariam, para depois O negar e para si somente reclamar a glória das vitórias.

É uma meritocracia confusa num diálogo fechado com Deus, no qual se bate de frente com o Criador, como quem diz “Preste atenção! eu não preciso de Você!”, para depois ir correndo pedir-lhe ajuda como um coitado esfarrapado, e em seguida sair cantando vitória.

O filme que (re)assisti hoje e escrevi a crítica, I, Frankenstein, é um exemplo dessa leva de filmes.

A bondade expressa pelos protagonistas de nada serve senão para si mesmos e apenas parcialmente, e em seguida levantam-se como exemplos genuínos de suas próprias ideias de independência divina, de tal forma que negam a cruz, como se a salvação dos mesmos viesse por reconhecimento forçado da parte de Deus; é a substituição de Jesus pelo homem, que se oferece como novo exemplo, no caminho, verdade e vida.

O sub-gênero steampunk já é imbecil em sua proposta anacrônica, mas de se levar o imbecil a sério o prejuízo que se produz é incalculável e jamais proveitoso, a esquerda política no cinema serve-se disso como em todo seu cerne filosófico: a inversão temporal como leitura da realidade. Culmina numa choradeira de que para realizar o bem, lhes faltaram ferramentas adequadas, a culpa é no final de Deus, aquele mesmo que negam hora existir e hora ser bom; é, em última análise gnosticismo.

É uma tremenda blasfêmia disfarçada de arte, que não seria heresia se não dialogasse diretamente com a religião cristã com ares professorais; uma afronta a Deus como exemplo didático artístico aos cristãos.

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