Guerra Mundial Z foi ao ar em 2013, dirigido por Marc Foster, baseado no livro “World War Z: An Oral History of the Zombie War” (Guerra Mundial Z: uma história oral da guerra dos zumbis), do escritor americano Max Brooks. A narrativa trata de um apocalipse zumbi no estilo George A. Romero exponenciado, politizado, e repleto de recursos cinematográficos atuais, uma estranha doença que transforma pessoas em zumbis incontroláveis, surge em determinada parte do mundo, decorrente de causas apenas prováveis, como problemas sociais e ecológicos, se alastra com velocidade impressionante e violência brutal, e atinge proporções globais. Para lidar com o problema, o ex-ONU, Gerry Lane é chamado. A aventura é intensa.

Tecnicamente o filme é impecável. De cara, a atuação de Brad Pitt está entre as melhores de sua carreira, e os coadjuvantes (Mireille Enos, Daniella Kertesz, James Badge Dale, e Matthew Fox) nada ficam devendo. A trilha sonora de Marco Beltrami, e a riqueza de efeitos sonoros,  impressiona pela precisão, pois a variação de emoções intervala picos de suspense e horror com apreensão e calmaria. A fotografia de Ben Seresin ganha destaque, pois a necessidade em uma trama de proporções globais, exige tomadas de ângulos muito abertos com passagens para closes muito rápidas (nisso consiste a fotografia de suspense), sem contar os esquemas de cores, numa riqueza de situações e emoções, como as tomadas no deserto que exigem uma árida tonalidade, contra as repentinas ações noturnas e chuvosas em bases militares, Seresin foi digno de premiação. A edição de Roger Barton e Matt Chesse, também é uma obra de arte, pois dada a velocidade frenética do roteiro, a exigência é alta, a dupla conseguiu ser dramática e espantosa. Na minha opinião, em termos técnicos a cereja do bolo é o roteiro, que já defini com o termo “frenético”, não há qualificação melhor, toda amplitude de informações é fornecida a tempo para que o público não se perca, mas também não raciocine demais e perca a graça e o susto, é tudo em cima da hora, é adrenalina pura, o trio, Matt Carnahan, Drew Goddard, e Damon Lindelof, realizaram um trabalho genial. Seria injusto não falar do figurino de Mayes C. Rubeo, pois produzir zumbis não é produzir um casal romântico se beijando sobre uma ponte, é produzir pelo contrário, um morto vivo, que jamais pode ser um mero estereótipo, é um trabalho monstruoso de grande porte, e que geralmente passa desapercebido (não comigo, cara pálida. 🙂 ), sim, Rubeo está de parabéns.

A produção de Brad Pitt arrecadou um orçamento de 190 milhões, que rendeu mais que o dobro: a somatória de 540 milhões.

Se a Paramount acertou alguma vez, foi neste filme, que em termos de produção entra para história como um dos melhores apocalipses zumbi já filmados.

O filme traz de fundo uma série de mensagens por vezes desconexas, girando sobre um eixo principal: a solidariedade como princípio organizador social. Da série de mensagens contidas boa parte são de ordem política, que não é por mero acaso, o livro escrito por Max Brooks é praticamente uma peça de ativismo político esquerdista, o filme é uma propaganda política comunista (dos Democratas, precisamente) que deu não certo, e acabou por se tornar uma aventura incrível mesmo e teve suas mensagens apenas diluídas e perdidas no todo. Diferente da grandeza de Steven Spielberg, que relaciona os desastres à nobreza de espírito e à metafísica judaico-cristã, nesse caso Deus é substituído pelo estado, precisamente a ONU e a OMS, demonizando os inimigos políticos (toda ordem conservadora dos Republicanos), com acusações pífias e bobocas. A verdade é que se o filme fosse muito nessa direção, seria apenas um besteirol, mas a coisa foi diluída o suficiente para se tornar irrelevante, casual, e não incomodar no final das contas, pois solidariedade é ainda amor ao próximo.

Visão política

O filme traz uma série de mensagens esquerdistas embutidas:

  • A demonização dos americanos
  • A salvação pela ONU
  • O racismo americano contra negros e descendentes hispânicos
  • CIA como fornecedor de armas da Coreia do Norte
  • Doença zumbi como resposta da natureza
  • Coreia do Norte como grande engenheira social
  • Palestina como pátria reconhecida
  • Israelenses e palestinos convivendo pacificamente
  • Uma mulher com aparência feminista como parte da solução
  • A queda de Israel como inevitável
  • OMS como último recurso
  • Cristãos como fanáticos e muçulmanos como ponderados

Do ponto de vista político, é um filme de esquerda.

Como realização cinematográfica, é excelente, mas como obra de ativismo político é idiotice.

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