Após o fim da segunda guerra, a Coreia foi dividida em dois países, um no norte pró União Soviética, e um no sul, pró Estados Unidos.

Num sofrido pós-guerra, logo de cara a Coreia do Sul que tudo tinha para afundar-se em auto-piedade fez o contrário e surpreendeu o planeta em pouco tempo: começou a desenvolver-se rapidamente, o fluir da economia foi notável e duradouro (sim, foi assustador), mesmo com as constantes revoltas populares contra a ditadura que durou até década de 80. Estabelecida então a democracia, o país desenvolveu-se ainda mais, tornando-se potência mundial.

Qual seria a receita?

A receita da Coreia do Sul, para transformar-se na 11ª economia do mundo, saindo de uma guerra e atravessando revoltas populares, para tornar-se potência global em pouco tempo é simples e pode ser praticada por absolutamente qualquer país:

Dedicar no mínimo 6% do PIB para a educação e cobrar muito (sem dó mesmo) dos estudantes, fazer com que os derrotados sintam-se inúteis (o que não é injusto no contexto).

Apareçam com Paulo Freire e a “Pedagogia do oprimido” nesse país, e é capaz de te assassinarem, e com razão; foi a consciência da responsabilidade do indivíduo enquanto aluno, que transformou o país, foram os talentos bem desenvolvidos que solidificaram a indústria e seus agentes econômicos como LG, Samsung e Hyundai, e de quebra trouxeram novos que sabiam que ali havia mão de obra qualificada e boa vontade de um povo esforçado, que aprendera o valor da responsabilidade do indivíduo; que aprendera que a culpa pelo seu fracasso é sua e não do outro.

Essa assustadora simplicidade, foi tudo que a Coreia do Sul fez: investir em educação com seriedade e cobrar resultados dos estudantes; uma mudança de perspectiva cultural que abandona o coletivismo esquerdista, o “Contrato social” de Rousseau, e se aproxima do “lobo do homem” de Hobbes.

Se por um lado Rousseau precedeu o marxismo, por outro lado Hobbes foi essencial para o capitalismo, e nada se pode fazer sem antes compreender que é a perspectiva do indivíduo que no final das contas a tudo norteará.

Esta, é a receita do verdadeiro boom econômico.

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