Documentário de 2016 dirigido por Robert Cannan e Ross Adam conta a história do casal sul-coreano profissional do cinema, Shin Sang-ok e Choi Eun-hee, ele um grande diretor, e ela uma excelente atriz, reconhecidos mundo afora. Num determinado momento a Coreia do Norte percebe que a população não aguenta mais apenas filmes com propaganda ideológica e lavagem cerebral, e resolve dar vida nova ao cinema norte-coreano, mas com a fome e a loucura impostos pelo regime comunista de Kim Il-sung, não há mais inteligências ou vontade para se produzir nada grandioso, e o máximo que o cinema do país produz é lágrimas; a solução encontrada pelo filho do ditador, Kim Jong-il é sequestrar a esposa do diretor sul-coreano, para forçá-lo a ir à Coreia do Norte em 1978 e trabalhar forçado para o regime.

O filme conta as frustradas tentativas de fuga do casal, a passagem de Sang-ok por um campo de concentração, a forma como enganou o ditador e o regime fazendo-os acreditar que aderira ao comunismo, e sua fuga.

Sang-ok morreu em 2006, mas entrou para história do cinema como um dos grandes nomes.

Tecnicamente o documentário é maravilhoso, a trilha sonora de Nathan Halpern acerta o ponto e consegue ser sublime, sem explorar a dor comercialmente, numa atitude de tremenda decência, a fotografia conseguiu ser realista e proporcionar ao expectador a experiência de mergulhar no universo da narrativa, o roteiro é da dupla que dirigiu, e é ágil, veloz, e sobretudo rico em informações que jamais nos deixa perdidos, a edição de Jim Hession também é digna de elogios, não houve qualquer exagero e seguiu a atitude respeitosa de Halpern.

Quanto ao elenco, Choi representou a si mesma e falou por si mesma, narrando a história do casal com muita modéstia.

A Magnolia Pictures não fez apenas um documentário, mas um feito heroico, o documentário merece ser visto e revisto, principalmente por nossa juventude (por mim seria passado num telão no pátio da USP).

Não há uma mensagem por trás da narrativa, pois a narrativa é a própria mensagem: crua, o comunismo é isso, está vivo hoje debaixo de nossos olhos e a contagem dos inocentes assassinados ainda não alcançou o fim.

O documentário é excelente: repito, merece ser assistido muito mais que dez vezes.

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