Dirigido por Robert Stromberg, o filme que foi aos cinemas em 2014, reescreve a história da vilã do clássico “A Bela Adormecida” com um novo argumento, de que a narrativa original tratava-se de uma mentira, e que agora a verdade é contada.

Nesta nova versão, Malévola não é uma bruxa, é uma fada que se traumatiza na adolescência com a traição de um rapaz, indignada ela comete exageros no uso de seus poderes, mais tarde se arrepende e busca redenção.

Em termos técnicos de produção, o filme não é ruim, pelo contrário, é digno de muitos elogios. A cinematografia de Dean Semler mantém o padrão de qualidade Disney e até supera os anteriores da Pixar, todos os personagens e cenários são muito bem produzidos, impecáveis, e este elogio abarca o figurino de Anna B. Sheppard e Jane Clive, e a edição da dupla Chris Lebenzon e Richard Pearson, cujas montagens foram fascinantes. A música de James Newton Howard e mesmo a de Lana Del Rey (Once Upon a Dream), em profundo tom de desgosto caem como uma luva na trama de desesperança.

Quanto ao elenco, apenas a Malévola de Angelina Jolie e o corvo Diaval de Sam Riley são dramatizados com excelência, os demais são no máximo medianos.

O ponto extremamente negativo é para o roteiro, Linda Woolverton abusou do marxismo cultural, numa visão feminista radical, transmitindo mensagens que variam entre ódio e desprezo ao homem, justificadas por traumas femininos que buscam fundamentar este ódio e seus desdobramentos, bem como superioridade feminina, numa implícita competição dos sexos. Segundo Woolverton, o homem é um ser que para nada presta, e jamais deve receber qualquer voto de confiança. O único homem que aparece visto com bons olhos é o corvo Diaval de Sam Riley, um submisso. Há um momento onde tudo piora e alcança o status de horrível: a afirmação de que o amor não existe entre homem e mulher, apenas entre mãe e filha no máximo.

Os únicos personagens com uma curva dramática são a protagonista Malévola e a coadjuvante princesa Aurora; na primeira dá-se não por um exame de consciência baseado em princípios morais, mas por uma seleção sexualizada de classes, Malévola arrepende-se sim, mas não por reconhecer a maldade em seus atos, e sim por Aurora ser mulher. Enquanto a curva de Aurora dá-se pelo mesmo motivo, um julgamento sexista que conclui que o amor é uma invenção romântica, uma bobagem absurda, e neste momento torna-se madura.

Se na obra do século XVII do francês Charles Perrault, o clássico absoluto “La Belle au bois dormant” (A Bela Adormecida), o despertar de uma mulher, da adolescência para a fase adulta, dá-se pela descoberta do amor, aqui a maturidade é alcançada no momento em que o homem é completamente descartado.

Woolverton ainda defende no desfecho que o ideal é uma sociedade matriarcal, regida por uma mulher, que por sua vez estaria livre da maldade, na visão da imbecil a maldade é de natureza exclusivamente masculina.

A roteirista deixa claro que se trata de uma obra política quando atribui aos membros da corte, o termo comum do ódio marxista: burguesia.

Em análise simbólica, toda semiótica é uma colcha de retalhos arrogante de luta de classes marxista, em perspectiva feminista, dos menores aos maiores elementos, nada se salva.

Apesar do roteiro de péssimo gosto, baseado em um argumento vomitável, Robert Stromberg dirigiu como um mestre, orquestrando toda essa equipe e recursos para que o resultado saísse a contento, dentro dos altos padrões de qualidade habituais da Disney.

As inúmeras mensagens de fundo resumem-se em uma defesa doente do feminismo e do marxismo, o filme é no mínimo obra de mau caráter, e apesar da excelente produção técnica, é digno de nojo.

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