Em 2015 a Stage 6 Films levou aos cinemas Air, que no Brasil, estranhamente chegou com o desrespeitoso título invertido “Sem ar” (como se o brasileiro não fosse capaz de entender a referência a um elemento natural vital, que serve como cenário simbólico). O filme conta uma pós-apocalíptica estória na qual apenas alguns seletos humanos sobrevivem, precisam conviver num stress constante, e numa rotina atordoante que mais soa como provação espiritual.

A começar pelo elenco, não há estrelas (sorry), aqueles que como eu assistirão para ver Norman Reedus, o caipira durão Daryl de The Walking Dead, se decepcionarão, Reedus é no máximo fraco, talvez por seu personagem fraco mesmo, o controverso Bauer. A surpresa é atuação de Djimon Hounsou, que consegue convencer com seu perturbado Cartwright. Sandrine Holt com a fantasmagórica Abby, é razoável.

A fotografia é aquele tom noturno estrelado, de um desbotado que soa como desespero, ou asfixia, mas não convence. Chamar a trilha sonora de fraca, é elogio.

O roteiro de Christian Cantamessa é ruim, o filme é cansativo, demora demais para começar, e as informações para entendimento da trama são fornecidas à conta-gotas. O filme soa como fan-fic de Gravidade, de 2013; a meta narrativa é confusa, e se o elenco atuou pouco, a culpa é boa parte do roteiro, que simplesmente apela para o impossível e o improvável, em se tratando da personalidade dos personagens, seus princípios e valores, que norteiam suas decisões – quem assistir notará essa incoerência imperdoável. O melhor do elenco, Hounsou foi por isso o mais prejudicado, seu personagem simplesmente não tem uma curva dramática, mesmo após todo desafio que atravessa.

Cantamessa não estragou só o roteiro, dirigiu mal também, o sujeito parece um estranho completo à linguagem cinematográfica – a única coisa razoável ali é de fato a fotografia, mas que não se harmoniza com a música (que aliás desperdiça momentos dramáticos com um silêncio estúpido).

Quanto ao Brasil: a dublagem é uma porcaria.

O figurino é pobre, pobre mas razoável, e os cenários não são tão ruins.

Parece que Robert Kirkman realmente gostou do negócio do fim do mundo, para quem não sabe (e mate-se caso não souber), é o autor de The Walking Dead, e é um dos produtores desse fiasco: sim, desta vez ele errou.

A grande crise dessa obra não é ainda nenhum dos elementos acima, pois quando a meta narrativa é boa, quando há uma mensagem marcante na obra, mesmo uma produção caseira pode fazer milagres e realizar-se. A história é contada em ritmo de ensaio filosófico, no qual surge a pergunta: “É moral matar para sobreviver?”, e então começam a surgir problemas e situações diversas que se apresentam como argumentos e objeções, e isso até que é legível aos olhos por um tempo, se não fosse a mudança brusca de valores e princípios que simplesmente joga a narrativa na lata do lixo, é uma frustração em tempo real.

Minha nota para esse filme é um 3,0 – e somente pela fotografia, e pela atuação de Hounsou, o resto pode abrir o vaso sanitário, pular dentro e puxar a descarga.

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