Guns N’ Roses é uma banda de rock formada em 1985, de Los Angeles, Califórnia, nos Estados Unidos; tem 6 álbuns de estúdio, 3 EP’s, e 1 ao vivo, e ultrapassou a marca de mais de 100 milhões de cópias vendidas.

A música Knocking On Heaven’s Door, por sua vez foi um single, composto por Bob Dylan, lançada como trilha sonora do filme Pat Garrett & Billy the Kid, em 1973, como folk rock; está entre as mais famosas de Dylan, foi regravada por muita gente, que vai de Guns à Zé Ramalho, passando por Avril Lavigne, mas com todo destaque para esta versão hard rock do Guns.

O Guns gravou este cover para o álbum Use Your Illusion II, em 1991, e Slash (o lendário guitarrista dos cabelos na cara), a tocava nos show da turnê com a introdução de Only Women Bleed, do Alice Cooper – eu consigo ainda ouvir uma pegada desse som na versão do Guns, o sabor aparece no ar quando você conhece Dylan, e conhece Alice Cooper, a mescla fica nítida.

O álbum Use Your Illusion II contou com a formação Axl Rose (vocal e piano), Slash (o monstro sagrado da guitarra), Duff McKagan (baixo), Dizzy Reed (teclado), Matt Sorum (baterista muito foda), e Gilby Clarke (guitarrista escondido na cabeleira de Slash).

Minha visão do Guns, sempre foi a seguinte: Slash, um gênio com uma guitarra na mão, Axl Rose um dos melhores vocalistas da história do rock, Matt Sorum um baterista que sabia pegar pesado, e está ali na comparação com o Led Zeppelin, John Bonham, sim, um dos melhores do mundo, e o resto é coadjuvante. O espírito do Guns, sempre foi o trio Slash, Axl, Sorum, numa sinergia perfeita e inegável, a harmonia da banda é impressionante, e quando falta um dos três, a diferença é gritante: após o retorno do Guns, para os fãs, isso ficou claro (mas é assunto para outra hora).

A guitarra de Slash arde no ouvido, é dolorida, é melódica, e é violenta, você sofre junto com ele, e a voz do Axl é de uma força expressiva que não se preocupa apenas com a nota, mas com o sentimento da letra, não é uma corda vocal vibrando em um determinado tom, mas uma alma saindo do plexo solar espremida pela garganta como uma panela de pressão que assovia prestes a explodir, são lágrimas vibrando pela laringe, Axl está ali, presente de espírito, corpo e alma, e Sorum por final, não apenas marca o tempo com a bateria, ele dá porrada, e dá sem dó. Esse é o Guns, é a expressão de que os brutos também amam.

Neste som, esses caras praticamente encontraram um outro membro para a banda (Dylan foi absorvido pela banda, de tal forma que o som saiu irreconhecível, era Dylan, mas era muito mais o Guns), que sempre escreveu com muito espírito, as vezes uma crítica social, outras uma descrição de um processo espiritual, e às vezes ambas numa; Knocking On Heaven’s Door é isso, é uma mistura de crítica social com um processo espiritual. Dylan apela para a consciência após o fato consumado, a consequência a longo prazo de um assassinato, é um pedido para que as pessoas pensem antes de matar, antes de se deixarem levar pela fúria e pelo momento.

A única coisa que realmente me incomoda na análise simbólica da letra, é que Dylan atribui a violência exclusivamente à polícia, e nesse ponto é uma crítica social, mas de 1973, no sentido frankfurtiano dos hippies, em outras palavras, é uma mensagem socialista implícita, ao mesmo tempo que, apela ao cristianismo, como culpando os policiais pelas mortes, pela violência, ao passo que se condena a violência de forma geral, e sua última consequência é não entrar no céu.

Alguém bate na porta do céu, desesperado, mas não é atendido.

Também, logo de início Dylan deixa claro que se trata do exato momento da morte, a chegada da escuridão, e então o distintivo perde seu valor, o símbolo de autoridade terrestre nada mais vale diante da celestial.

Este cover do Guns é uma das grandes realizações do rock, vale a pena ser ouvido e guardado, apesar dos pesares, a música tem vida, é uma delícia para os ouvidos e pode em algum momento, falar com sua alma.

Tradução da letra:

Batendo Na Porta do Céu

Mãe, tire este distintivo de mim
Eu não posso mais usá-lo
Está ficando escuro, escuro demais para ver
Sinto como se estivesse batendo na porta do Céu

Batendo, batendo, batendo na porta do Céu
Hey, hey, hey, hey, yeah

Batendo, batendo, batendo na porta do Céu
Batendo, batendo, batendo na porta do Céu
Batendo, batendo, batendo na porta do Céu

Mãe, ponha minhas armas no chão
Eu não posso mais atirar com elas
Aquela nuvem negra e fria está descendo
Sinto como se estivesse batendo na porta do Céu

Batendo, batendo, batendo na porta do Céu
Hey, hey, hey, hey, eu, yeah

Batendo, batendo, batendo na porta do Céu
Batendo, batendo, batendo na porta do Céu
Batendo, batendo, batendo na porta do Céu

(É melhor você começar a reconhecer seu abuso de poder, Jack
Porque é só você contra a sua libido esfarrapada
O banco e o coveiro, pra sempre, cara
E não seria sorte nenhuma você conseguir sair dessa vivo)

Batendo, batendo, batendo na porta do Céu
Hey, hey, hey, hey, yeah
(Batendo, batendo, batendo na porta do Céu)

Batendo, batendo, batendo na porta do Céu
(Batendo, batendo, batendo na porta do Céu)
Batendo, batendo, batendo na porta do Céu
(Batendo, batendo, batendo na porta do Céu)
Batendo, batendo, batendo na porta do Céu
(Batendo, batendo, batendo na porta do Céu)

Batendo, batendo, batendo na porta do Céu
Batendo, batendo, batendo na porta do Céu
Batendo, batendo, batendo na porta do Céu
Batendo, batendo, batendo na porta do Céu

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