Porque na sua garganta se ata o nó
e mais se intensifica o respirar
até se modifica o teu parar
e na sua alma se engana o dominó

Eila preciosa data a te esperar
inimigo relógio sem passar
falido peito lógico a pensar
escandalosa dádiva adorar

O que palpita e pára para ver
atenta para o próximo pulsar
este ouvinte está avesso àquele ouvir

Jaz ali o sol se apaga sem mover
escurece a si próprio sem cansar
o tempo que não vês teu ir e teu vir


Soneto petrarquiano, decassílabo, heroico (tônicas na 6º e 10ª), composição abba abba cde cde.

Abaixo a separação das sílabas poéticas e montagem dos 2 quartetos e 2 tercetos:

Por/que / na / sua / gar/gan/ta / se a/ta o /
e / mais / se in/ten/si/fi/ca o / res/pi/rar
a/té / se / mo/di/fi/ca o / teu / pa/rar
e / na / sua al/ma / se en/ga/na o / do/mi/

Ei/la / pre/cio/sa / da/ta a / te es/pe/rar
i/ni/mi/go / re//gio / sem / pas/sar
fa/li/do / pei/to / /gi/co a / pen/sar
es/can/da/lo/sa / /di/va a/do/rar

O / que / pal/pi/ta e / /ra / pa/ra / ver
a/ten/ta / pa/ra o / pró/xi/mo / pul/sar
es/te ou/vin/te es/tá a/ves/so à/que/le ou/vir

Jaz / a/li o / sol / se a/pa/ga / sem / mo/ver
es/cu/re/ce a / si / pró/prio / sem / can/sar
o / tem/po / que / não / vês / teu ir / e / teu / vir

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