Não se conquista um povo com tirania e ambição, mas como lealdade e justiça.

Esta foi a lição que David Franzoni ensinou em sua obra, Gladiador é sobre a essência da liderança. O filme foi aos cinemas em 2000, sucesso de crítica e fenômeno de audiência, ganhou inúmeros merecidíssmos prêmios, 101 indicações e mais 53 prêmios, no Oscar recebeu 12 indicações das quais levou 5, e entre estas o de melhor filme.

Como argumento, duas vertentes são exploradas, na primeira o caminho do General Máximus Décimus Meridius, um homem simples, cuja única ambição é viver com sua esposa e seu pequeno filho no campo, feliz pelo amor de sua família e amigos; na segunda o caminho do jovem Imperador Marco Aurélio Cómodo Antonino, vaidoso, ambicioso, e fútil, um homem sem princípios, amante do poder a qualquer custo e da mentira. Ambos seguem seus caminhos que se cruzam, e por justiça divina as consequências são os finais procurados, o primeiro recebe o amor do povo que jamais pediu, simplesmente por ser quem é, enquanto o segundo desperta o desprezo popular pelo mesmo motivo, por ser quem é. Os três responsáveis pelo roteiro (David Franzoni, John Logan, William Nicholson), sem nenhuma dúvida acertaram em cheio.

O trio responsável pela produção (Douglas Wick, David Franzoni, Branko Lustig) conseguiu um investimento de 103 milhões de dólares, que retornou uma bilheteria aproximada de meio bilhão de dólares.

O elenco é maravilhoso, todos maduros na arte da dramatização (inclusive os mirins), e absolutamente nenhum deixa a desejar, começando por Russell Crowe (O Informante, Uma Mente Brilhante, Robin Hood) que vestiu a pele do General Máximus e fez discursos inflamados e sinceros que entraram para a história do cinema, em seguida Joaquin Phoenix (The Master, Walk the Line, The Yards), um ator com talento monstruoso (cuja atuação eu já havia admirado muito em Johnny & June, no qual interpreta o músico mito Johnny Cash), Phoenix novamente mostrou que nasceu para atuar, assumiu o imperador insano e fez todo público odiá-lo com sucesso (e você também o odiará, 🙂 ), absolutamente todo elenco é maravilhoso.

A trilha sonora está entre as mais profundas e tocantes do cinema, a dupla Lisa Gerrard (Playing For Charlie, Whale Rider, Burning Man), e Hans Zimmer (The Lion King, The Last Samurai, Inception), soube conversar com os corações da audiência, as emoções são fortes e música as acompanha com louvor.

A fotografia e cinematografia de John Mathieson (Logan, 47 Ronins, X-Men: Primeira Classe), é absolutamente fantástica, as tomadas de céu aberto dialogam com o censo de eternidade, e seus momentos de câmera fechada capturam os expressivos olhos principalmente de Crowe e Phoenix, sem contar as cenas de luta e batalhas, cujo movimento e ação tornam o trabalho muito exigente, Mathieson conseguiu, e com dignidade.

A montagem e edição ficaram por conta de Pietro Scalia (Perdido em Marte, Robin Hood, Gênio Indomável), que soube montar toda essa intensidade valorizando os picos intensos de emoção e as calmarias de intervalo, os cortes são suaves, e não há pecados nesse trabalho.

A direção do renomado Ridley Scott (Alien, Blade Runner, Thelma and Louise), por razões óbvias, é digna de muitos elogios, Scott não é qualquer um, é um monstro sagrado do cinema, e orquestrar o trabalho dessa equipe fantástica e talentosa, só poderia ser um feito de um profissional como ele.

Antes de correr empolgado assistir o filme, é bom saber que não se trata de uma história real, mas de uma adaptação muito longe da realidade da história do imperador Cómodo, a realidade foi bem outra, mas como a meta narrativa é uma profunda mensagem filosófica, vale a pena cada segundo e em nada desabona-se a estória contada.

O filme é de 2000, mas para recarregar suas baterias espirituais, está entre os melhores, merece ser visto e revisto, tantas vezes quantas forem necessárias.

Nota 10 é pouco, mas é a máxima, e o filme merece.

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