Battle of Los Angeles lançado em 2011, chegou ao Brasil com o nome Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles. O filme conta a estória de uma inesperada e improvável invasão alienígena, que abre fogo contra a humanidade. O motivo é nossa água, e seu método é exterminar a humanidade, e então colonizar o planeta. Para combatê-los os EUA enviam suas Forças Armadas, e uma tropa em especial do sargento Michael Nantz, cujo único objetivo era se aposentar, é destacada para resgatar civis da primeira cidade atacada, Los Angeles. Nantz possui um currículo duvidoso e terá dificuldades com sua tropa, terá que provar seu valor, superar seus traumas, e de quebra salvar o mundo.

A primeira coisa que me chamou atenção foi a fotografia de Lukas Ettlin (Battlestar Galactica, Quebrando Regras) que lidou de forma impressionante (mesmo!) com movimento que acompanha muita ação e suspense, uma cinematografia sem apelos ao absurdo, com efeitos especiais razoáveis, que não nos deixam desconfortáveis.

A trilha sonora intensa e constante, bem como os efeitos sonoros de Brian Tyler (Rambo, Aliens vs. Predator, Fast & Furious) não foram inovadores, mas muito confortáveis, acompanham com perfeição o estado emocional a cada instante, Tyler sabe o que faz, seu currículo é todo sucesso com TV, seriados, cinema, e até games.

A edição de Christian Wagner (A Outra Face, Chamas da Vingança, Missão Impossível 2), não deve ter sido um trabalho muito difícil, pois fotografia e trilha sonora foram no mínimo excelentes, e quando se trata de picos emocionais bem trabalhados, sobretudo com mensagens claras, suspense, e ação, a hora do corte para montagem é beneficiada para este profissional. Seja como for, é outro trabalho a ser parabenizado. Wagner é outro com uma carreira repleta de realizações, entre outras ele é responsável pela montagem e edição de Velozes e Furiosos desde 4.

Os melhores atores foram Aaron Eckhart (The Dark Knight, I Frankenstein, Thank You for Smoking) como intenso sargento Michael Nantz, e Michelle Rodriguez (Avatar, Resident Evil, S.W.A.T.) como a brava Elena Santos, eu jamais esperava ver ambos juntos em um filme, e foi uma grata surpresa, Eckhart é de uma carga emocional fortíssima, o sujeito convence, e de todo time de coadjuvantes, a garota rouba a cena, é de uma naturalidade ímpar, ela sabe quando atuar, quando ficar quieta, e o faz sem esforço, nasceu pra isso, sem contar que a sinergia entre ela e Eckhart é de uma espontaneidade rara. Eu já havia criticado o trabalho de Aaron em Eu, Frankenstein e novamente ele não desapontou. Aliás, falando em coadjuvantes, exceto por Michelle, todos são ruins pois deles depende a curva dramática do sargento e da trama como um todo, e se não fosse o talento de Aaron, a coisa não teria acontecido.

De excelente o filme tem o figurino de Sanja Milkovic Hays e o cenário de Bob Kesinger, tudo produzido a contento, convincente, sem exageros, detalhes fantásticos, um trabalho digno – que eu não costumo observar muito, mas que neste filme chamou atenção pelo cuidado.

De ruim o filme não tem apenas os coadjuvantes, o roteiro é fraco, faltam informações na trajetória do sargento, que vão sendo jogadas ao longo da trama, mas sem a intensidade necessária, são informações importantes, relevantes, que informam seu estado emocional, e certamente prejudicaram o trabalho do único personagem com uma curva dramática, da qual toda narrativa depende, e ainda o desfecho é uma agressão à inteligência, pois nenhum inimigo poderoso como esse apresentado pode ser enfrentado nas condições quase milagrosas que Chris Bertolini colocou, de positivo o ponto do roteiro é que o filme é rápido, com suspense de tirar o chapéu, e muita ação, mas em termos de argumento e meta narrativa é fraquíssimo. É perdoável da parte de Bertolini um roteiro ruim, dado que esse é o terceiro texto de sua carreira que conta apenas com A Filha do General, e Madso’s War, a escolha de seu nome pela produção é que foi um erro grave.

Jonathan Liebesman (Fúria de Titãs 2, As Tartarugas Ninja) dirigiu um time muito bom, que variou da excelência de Eckhart ao fracasso de Bertolini, orquestrou essa equipe e fez a mágica acontecer, não fosse o roteiro praticamente vazio, por uma narrativa fraca, pseudo-spielbergiana, Liesbesman teria arrebentado com esse trabalho: a culpa não foi dele. Em termos de resultados, não foi tão ruim, o orçamento de 70 milhões de dólares resultou em uma bilheteria de quase 212 milhões; em termos de premiações, levou o BMI Film & TV Awards 2011 pela trilha sonora de Tyler, e mais 3 indicações para outros que não ganhou.

Enquanto mensagem, a estória trata valores que nos são caros e de jamais julgar por boatos e aparências, da dificuldade que alguém caluniado e difamado pode ter para lidar com memórias dolorosas e ainda suportar injustos julgamentos alheios, uma lição dramática que até desperta um raso exame de consciência, mas de profundo não há grande coisa.

Se você procura um filme com muita ação e suspense, eu recomendo fortemente, mas se gosta por outro lado, de um filme mais profundo, como são os antigos de guerra, com além da emoção também uma mensagem que valha a pena assistir, não será então esse o caso.

Uma nota 6,5 é justa.

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