Esta sexta feira, 28 de julho, tive o grande prazer de conversar com o diretor de cinema Daniel Moreno, paulista, formado pela USP, que dirigiu inúmeros programas de televisão, 6 curta metragens, e 4 longas, sendo 2 documentários (Silenciados e Reparação), e 2 filmes (Pandemônia e Subsolo Underground).

Conheci o trabalho dele ao assistir o documentário Silenciados, em sua pré-estreia, na ALESP (Assembléia Legislativa de São Paulo).

Silenciados, trata de dar voz a quem no Brasil nunca tem: a vítima. Para realizar o filme, foram ouvidas vítimas de crimes, para as quais a justiça não deu qualquer respaldo, foram literalmente marginalizados; não receberam sequer apoio psicológico de qualquer entidade ligada aos direitos humanos, em boa parte os criminosos não foram punidos, e os que foram presos foram soltos em seguida, para cometer novos crimes. Todos os ouvidos pelo documentário são familiares e amigos de vítimas de crimes hediondos.

O documentário é de uma qualidade que não se encontra com tanta facilidade, ou você chora, ou você tem coração de mármore (o trailer está no final deste artigo).

Daniel falou sobre o que é ser diretor de cinema, em que consiste essa atividade, o trabalho de coordenar equipes de filmagem, som, edição, lidar com roteiros, por vezes até criando-os, e ainda deixar ali sutilmente sua marca.

O diretor também abordou questões como a qualidade da arte, que hoje confunde a cabeça do brasileiro ingênuo com propaganda ideológica, em muitas áreas, como literatura e teatro, mas principalmente no cinema; ainda foi mais longe e corajosamente abriu a caixa preta da Lei Rouanet, das tetas do estado brasileiro na indústria cinematográfica, e da impossibilidade de combater essa covardia apenas com atitudes de formigas contra dragões, que cospem fogo com dinheiro público queimando em suas entranhas.

O cineasta ainda foi mais longe e falou sobre seu primeiro documentário, Reparação, que narra a história de uma das vítimas do terrorismo de esquerda no Brasil, um garoto que sonhava em ser aviador, mas perdeu suas pernas na explosão de uma bomba plantada por movimentos comunistas, e tornou-se paraplégico, e quem recebeu a maior indenização, foram os terroristas que lhe condenaram a não realizar seus sonhos. Por causa dessa narrativa, ele levou inúmeras pedradas e até sofreu perseguição da esquerda.

O papo fluiu, o sujeito é agradável, simpático, humilde, modesto, acessível, e sobretudo honesto.

Se o cinema no Brasil não tem entregado resultados dignos, Daniel tem a resposta, vale a pena conferir.

Trailer do documentário Silenciados:

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