Uma vez um político em fim de carreira resolveu apostar em uma ideia em outra área.

Ex-metalúrgico, de 9 dedos, gostava de uma boa cachaça, analfabeto de pai e mãe, mas havia aprendido a lidar com o público.

Uma certa manhã ele teve um insight inspirado em sua época de chão de fábrica, observando a necessidade dos trabalhadores de diversas áreas, e do mercado que poderia usufruir muito de uma certa invenção.

Ele criou um produto novo, um martelo que não fazia barulho. O produto trazia consigo uma inovação fenomenal, os profissionais poderiam trabalhar de noite e de madrugada, sem fazer barulho.

Muito preocupado com os trabalhadores, fundou uma empresa, segundo ele essa iniciativa estava partindo de trabalhadores, então a empresa foi chamada “Partindo dos Trabalhadores”, que ficou conhecida como PT, chamou um marqueteiro de renome e talento para fazer a publicidade do martelo. O marqueteiro ouviu a ideia e perguntou:

– Mas este martelo é forte mesmo?
– Fortífimo! Como um coife de mula!
– Então vamos chamá-lo de Mula! Será um fenômeno de público e de audiência!

O marqueteiro foi atrás de investidores, e conseguiu, empreiteiras acharam lindo o produto, elogiaram Mula como grande salvação do país, da economia, e o financiaram.

Na propaganda o slogan foi: “Agora é Mula! A esperança vai vencer o medo!”

A notícia correu o país, emissoras de rádio e TV promoveram Mula, jornalistas e blogueiros o amavam como fosse a grande virada para o país, a popularidade alcançou 83% da preferência contra outros produtos, Mula era um fenômeno, e PT uma estrela.

E o povo, comprou o produto.

Após algumas semanas, o Procon começou receber muitas reclamações, pois apesar da propaganda, o martelo não era silencioso, era barulhento igual aos outros, e não havia qualquer possibilidade de trabalhar de madrugada, ou de fazer o trabalho sem barulho, enfim, não havia diferença nenhuma para a concorrência.

Dois meses depois, o Procon não suportou e exigiu uma resposta da empresa.

PT muito preocupada com os trabalhadores, foi à TV com a seguinte resposta:

– Povo brasileiro! Não se desespere! Essa crise vai chegar como uma marolinha! Na verdade o martelo é silencioso sim! Vocês podem perguntar qualquer coisa para ele, que ele vai ficar em silêncio e não vai responder nada! A grande questão é a seguinte: Vocês compraram o prego silencioso? Ou apenas o martelo? Vocês tem que comprar o prego silencioso também!

Foi assim que PT lançou seu novo produto, o prego silencioso, para ser usado junto com o martelo.

– Este prego vai funcionar?
– Sim! Vai sim! Ele é de uma funcionação incrível! Ele prega de uma vez só!
– De uma?! De uma vez só?! Então vamos chama-lo Di-Uma!

O marqueteiro bolou uma grande campanha, maior que a primeira, e foi novamente à luta, Di-Uma estava na TV logo em seguida, com uma nova proposta, o slogan cantado era “Para o Brasil seguir mudando”.

O povo, muito inteligente e justo, afinal martelos silenciosos são possíveis sim… foi às lojas no dia seguinte e comprou o novo produto, o prego Di-Uma, felicíssimos, afinal agora poderiam finalmente trabalhar como queriam, e o martelo que não fazia barulho, agora tinha o prego que não fazia barulho, Mula e Di-Uma, uma dupla que resolveria o Brasil, que revolucionaria a economia.

Para surpresa geral da nação, o prego também não funcionava. Reclamações mais revoltadas que as primeiras, o povo não se aguentava, estava enfurecido, e os telefones do Procon simplesmente não paravam.

Processos judiciais foram abertos, o país parou para assistir o julgamento.

Em depoimento, o ex-político dizia:

– O martelo e o prego são silenciosos sim! Podem trazer aqui Mula e Di-Uma e perguntar-lhes qualquer coisa que permanecerão em silêncio!

E de fato nada disseram, mas com suas promessas falsas haviam quebrado grandes empresas, até uma das gigantes do petróleo estava por um fio.

O povo queria suas cabeças numa bandeja por terem sido enganados tão… tão… facilmente. Sentiam-se tapados, idiotas, e na melhor das hipóteses, eram isso mesmo.

Um juiz de primeira instância do Sul do país condenou o marqueteiro por propaganda enganosa, que entregou o ex-político como autor da ideia, e a empresa PT por pouco não faliu, muito pouco.

Na cela, em uma conversa o marqueteiro desabafou:

– Quando você me procurou dizendo que tinha uma ideia inovadora, eu achei que você queria ajudar o país!
– Mas eu nunca disse isso! Eu disse que tinha uma ideia, mas jamais disse qual ideia era essa!
– Ué, achei que fosse o martelo, Mula!
– Não! A ideia era ficar rico, Mula e Di-Uma era apenas pra enganar os trouxas!

Morais da estória:

  1. Milagre só quem faz é Deus.
  2. Nunca confie em ex-metalurgicos, com apenas 9 dedos, cachaceiros, analfabetos, com propostas absurdas.
  3. Nenhuma Mula pode salvar o país.
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