Em 1966, Sergio Leone concluiu a Trilogia dos dólares com Três homens em conflito, continua as aventuras do Pistoleiro sem nome de Clint Eastwood, que nesta última estória lida com um homem mau, perverso, cruel, e um bobo, burro, e que pensa ser esperto, os três em busca de um mesmo tesouro enterrado em um cemitério, mas para chegar ao lugar terão que atravessar um território em plena guerra civil americana, e seus valores pessoais serão testados.

Lançado com o título Il buono, il brutto, il cattivo, o filme chegou aos EUA como The Good, the Bad and The Ugly (O Bom, o Mau e o Feio), e chegou ao Brasil como Três homens em conflito.

Tecnicamente o filme apresentou melhorias, pioras, e pontos onde a qualidade permaneceu apenas igual aos anteriores. O figurino de Carlo Simi permaneceu fantástico, eu repito o que já disse nas duas críticas anteriores: um dos grandes responsáveis pela viagem imaginária ao velho oeste nesta trilogia, é sem dúvidas Simi, o sujeito veste os personagens com naturalidade, faz você sentir que a coisa era daquele jeito mesmo. Permaneceu também fantástica a trilha sonora de Ennio Morricone, sobretudo com o clássico absoluto L’estasi dell’Oro nas últimas cenas, dando um significado muito especial não só ao filme, mas à toda trilogia. A fotografia de Tonino Delli Colli foi inovadora, as aberturas de câmera deste filme acompanharam as emoções além de informar e situar o expectador. A edição da dupla Eugenio Alabiso, Nino Baragli, foi a melhor montagem da trilogia.

Clint Eastwood atuou como um monstro novamente, embora num papel mais sofrido dessa vez, seu personagem Pistoleiro sem nome, apelidado de loirinho, tenha me surpreendido um pouco. Lee Van Cleef atuou novamente, mas agora como o grande vilão Olhos de anjo, perverso e impiedoso, e convenceu. Eli Wallach atuou como Tuco, um bobo metido a esperto, que tenta ser malvado, mas acaba por despertar pena, e em alguns momentos é muito divertido, Wallach atuou bem.

A única observação negativa que tenho é com o aspecto técnico do roteiro, pois 3 horas de filme achei desnecessário, ao passo que por outro lado, a meta narrativa foi alcançada com maestria, na última cena, no confronto dos personagens, você consegue perceber a grandeza da mensagem que Leone buscava.

Falando em Leone, a direção desse filme eu suponho que tenha sido um trabalho hercúleo, pois seguiu a mesma linha argumentativa dos anteriores, Sergio Leone trabalhou no roteiro e também dirigiu, e este filme encerrou uma argumentação iniciada no primeiro filme. O indivíduo entrou para a história como responsável por transmitir uma mensagem elevada o suficiente para construir toda sociedade ocidental (falarei a respeito quando escrever a crítica da trilogia como unidade, em breve).

A leitura de Três homens em conflito aparece com clareza no momento do confronto final, situação na qual tanto a pequeneza do horizonte de consciência do Feio, quanto a argúcia do Bom, e a perversão do Mau, são colocadas num xeque-mate, um dilema onde precisam fazer uma escolha entre a vida e o dinheiro, que define quem é quem, o caráter de cada um. O personagem que sai vitorioso demonstra uma grandeza de alma, hombridade, justiça, e sobretudo piedade. O que perde, perde por mérito, justiça, e não vingança. A narrativa ainda explora os limites de uma amizade, de como o homem é capaz de perdoar até as mais profundas ofensas, até mesmo atentados contra sua própria vida, e restaurar tudo, com amor ao próximo ensinado por Jesus Cristo.

A produção desta vez investiu o dobro do anterior, 1,2 milhões de dólares e alcançou uma bilheteria que por pouco não dobrou a anterior, na casa dos 25 milhões, que desta vez recebeu uma indicação ao prêmio Laurel Awards pela atuação de Clint Eastwood, e desta vez ganhou.

Já havia criticado os dois anteriores, tanto o primeiro da trilogia Por um punhado de dólares, quanto o segundo Por uns dólares a mais, com esta, finalmente compreendi a intenção do diretor italiano, e me dou por satisfeito.

Recomendo sim, muito inclusive, é uma baita reflexão.

Na minha visão, uma nota 9,0 é justa.

Em breve solto a crítica da Trilogia dos dólares como unidade. 😉

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