Em 2347, numa manhã de sábado, um jovem filósofo de 48 anos, acordou revoltado pois seu quarto não estava quente o suficiente, sua velha mãe não havia colocado achocolatado em seu leite na quantidade que ele apreciava, e seu papai já não estava ali para levá-lo à Disney.

O rapaz começou a pensar, em qual seria o problema da sociedade. Por que motivo afinal de contas ele era tão excluído e incompreendido? Imaginem o absurdo, pensava, queriam que ele trabalhasse, as mulheres não se interessavam por ele, e ninguém queria lhe dar um carro. Uma tremenda injustiça, não restam dúvidas.

Wilson era assim um sofredor, com uma terrível carga de stress nas costas.

Como deveria ser a sociedade? E foi raciocinando arduamente que ele percebeu finalmente, que seu saudoso pai, com quem se relacionava tão bem, tinha algo em comum com ele, o chiclete. Ambos gostavam de chiclete, e os demais, todos não gostavam.

Estava estabelecido o padrão: quem gosta de chiclete é bom, e quem não gosta é mau.

Trancou-se no quarto, empurrou a cama, e pôs-se a escrever. Foram dias até que finalmente publicou sua obra: O Chicletal.

A proposta de nova sociedade conquistou o mundo, quem gostasse de chiclete, era do bem, quem de chiclete não gostasse, deveria ser sumariamente executado.

Um dia, questionado por um estudante de filosofia um pouco mais esforçado, percebeu que tinha inimigos pelo caminho no rumo da transformação da sociedade:

– Mas Wilson, se quem gosta de chiclete é bom e quem não gosta é mau, logo a ética consiste em mascar chiclete, pode essa atividade gerar algum benefício para a sociedade? Não seria o correto que as pessoas devessem amor umas às outras, ao invés de chicletes?!

– Seus princípios cristãos geraram toda a sociedade opressora! – Esbravejou o gênio feito carne.

Wilson defendeu suas ideias, construiu melhores argumentos sobre tal princípio ético, e ao final dos seus 70 anos, morreu.

Sua ideia se espalhou, atraiu pessoas tão inteligentes e esforçadas quanto ele, foram os chamados chicletistas, dominaram territórios inteiros forçando as pessoas a mascar chicletes, e quem não gostasse, o destino já estava traçado. Foi durante 2 séculos um genocídio em prol da construção da sociedade chicletária.

Apenas após 2 séculos, é que o povo revoltado de tanto mascar chiclete, começou a combater a maravilhosa tese, até que com muito esforço ele acabou por ocupar seu devido lugar: a memória do planeta.

Muito tempo depois, estudando história com seriedade, seria possível perceber que o único princípio ético capaz de reger uma sociedade, é o amor ao próximo, e não a qualquer outra coisa, a humanidade já havia passado por fascismo (amor ao estado), nazismo (amor à uma raça), comunismo (amor à uma classe social), islamismo (amor à uma religião), entre inúmeras outras, até que finalmente, após usar 1,3% do cérebro, conseguiram entender algo tão simples que nem precisava ser explicado.

Foi quando finalmente a humanidade alcançou a paz.

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