Esta foi provavelmente a mais intensa temporada do seriado.

Os irmãos Winchester realizam uma verdadeira cruzada pelo país numa luta desesperada para impedir o apocalipse bíblico, a jornada é uma provação interminável, episódio a episódio Dean e Sam são testados, ao mesmo tempo que enfrentam personagens do apocalipse: os 4 cavaleiros, a grande prostituta, o anti-cristo, anjos que se rebelaram, demônios, e têm de lidar com seus próprios problemas. Dean com seu vazio, Sam com sua raiva.

Como tema Eric Kripke tratou durante os 22 intensos episódios de redenção, de um lado o processo do arrependimento do pecador, do outro lado da descrença ao perdão do semelhante ofendido.

De cara é possível notar um incrível salto de qualidade na atuação de Jensen Ackles e Jared Padalecki, que convenceram muito mais que nas anteriores. O Dean de Ackles um desesperado entregando os pontos, e o Sam de Padalecki um arrependido em busca da reparação de seus erros.

Foram notáveis também o paternal Bobby Singer interpretado por Jim Beaver, e o anjo Castiel de Misha Collins, sem ambos essa temporada não teria acontecido.

A fotografia permaneceu com a mesma qualidade das anteriores, e as cenas de ação foram muito melhoradas com novos movimentos de câmera. A trilha sonora também manteve a qualidade, acompanhando os momentos isolados de cada personagem e as emoções de cada cena: a passagem da dupla pelo céu no 16º episódio (Dark Side of the Moon) com Knocking on heavens door, foi perfeita, e vale a pena conferir.

Edição, figurino e cenário, também mantiveram a qualidade. Em termos técnicos a temporada foi pouco melhorada, e a intensidade toda se deu por conta do roteiro (maravilhoso) e da atuação do elenco (praticamente não houveram pecados de atuação).

Esta temporada aprofundou-se muito no tema, redenção, e foi aos limites da capacidade humana, passou pelo sacrifício, pelo amor, pelo desespero, pela fraqueza, pela dor, e Kripke não se prendeu apenas na temática central, mas desafiou-se novamente, levantando a mesma questão da primeira temporada, destino x livre-arbítrio, ao que soube responder novamente na conclusão da temporada; como escritor, eu senti o desafio que ele se impôs, a questão agora reaberta, em pé desafiando o autor a solucioná-la, com um imenso topete de petulância dizendo “O livre-arbítrio não co-existe com o destino! Sua resposta dada na primeira temporada foi inválida! Você afirmou que seria vocação a resposta e estava errado!!!”, e Kripke foi em frente, enfrentou seus demônios pessoais ao limite, e conseguiu responder a questão novamente com a mesma resposta: vocação. Não só respondeu, como provou sua tese na dramatização.

Esta foi, de longe a melhor temporada que assisti até agora.

Em pouco tempo mergulharei de cabeça na 6ª temporada. 🙂

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