Esta temporada foi marcada pelo abandono da direção e roteiro do gênio Eric Kripke, os fãs devem ter se decepcionado muito (eu me decepcionei, muito mesmo), o final da quinta temporada foi marcado pela solução do problema maior, meta narrativa desde a primeira temporada, foi o fim da estória em si, a sexta foi uma tentativa abrupta de continuação – foi um erro. Quem assumiu a cadeira de Kripke foi Sera Gamble e na tentativa de enriquecer a narrativa com literatura fantástica e misturá-las à seriedade das mitologias de seu antecessor, acabou por causar um tremendo desconforto, levar a série à uma espécie de Scooby Doo realístico, que só se salvou no final das contas por alguns poucos episódios que foram fortes, no mais, não houve meta clara, e ainda uma temática confusa.

Nesta temporada Sam retorna misteriosamente do inferno sem sua alma e os irmãos Winchester terão que fazer de um tudo para consegui-la de volta, esta por sua vez ficou presa na jaula de Lucifer. Além deste esforço ainda está iniciada uma guerra no céu, e Castiel é um dos líderes para tentar salvar a humanidade da tirania de seu concorrente. A trama está longe de ser boa, não há exatamente um raciocínio em desenvolvimento e constante argumentação, como foram as anteriores (marca registrada do poderoso Kripke).

As novidades boas foram os enormes saltos de qualidade na atuação de Jensen Ackles e Jared Padalecki, que entregaram a dupla Dean e Sam muito mais intensos, mais soltos, mais livres, mais reais, e o mesmo pode-se dizer de Misha Collins com o anjo Castiel. Mark Sheppard simplesmente nasceu para interpretar o demônio Crowley e Julian Richings, o cavaleiro do apocalipse Morte.

A fotografia manteve-se, as trilhas sonoras deram uma decaída e não acompanharam com a qualidade das anteriores, a edição continuou maravilhosa, e a direção também muito profissional.

Houve um episódio em destaque: Encontro em Samarra, espetacular, e rendeu o conto mais lido deste blog A vítima da sociedade.

Acredito que Gamble só despertou para o problema da argumentação da temporada como unidade, no final, nos últimos 3 episódios, quando não havia mais tempo para desenvolver a trama, e não fechou a narrativa nada bem, a sensação foi de desconexão com as temporadas anteriores. Ficou no ar, perdido.

Estou decepcionado, mas vou prosseguir para a sétima temporada.

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