Gangues de Nova York é um panfleto ideológico da esquerda, uma propaganda descarada do Democratic Party (Partido Democrata).

Se na mídia a esquerda ocupou todos os espaços que conseguiu e passou a fazer publicidade travestida de jornalismo, no cinema a coisa não foi diferente.

O filme inspirado no livro de 1928, As Gangues de Nova York, de Herbert Asbury, conta uma versão distorcida de um período histórico que antecede a guerra civil americana. Nesta versão americanos nativos e irlandeses imigrantes estão em constante choque, ambos católicos e protestantes que carregam apenas o rótulo de cristãos, enquanto em suas vidas a principal atividade é o crime, e o vilão apelidado “Açougueiro” representa os republicanos (a direita), racistas e nacionalistas, enquanto o mocinho conhecido como “Amsterdam” representa os democratas (a esquerda), piedosos e justos, defensores dos imigrantes e dos negros (o que é uma loucura por si só, pois a escravidão foi abolida por Abraham Lincoln, republicano com 100% de apoio do Partido Republicano, numa luta ferrenha contra os democratas, 77% do partido votou contra o fim da escravidão). Na narrativa, o Açougueiro mata o pai de Amsterdam, quando ainda é uma criança, que cresce em um reformatório, e volta para as ruas desorientado e buscando vingança, e em meio à esse problema pessoal, a questão política que é cenário torna-se parte importante e meta de ambos (relaxe, não vou contar nem o final, e nem nenhum detalhe que estrague sua experiência, 😀 ).

Em termos de roteiro, como meta narrativa, a mensagem política da história real é distorcida, abjeto é o adjetivo mais honesto, mas enquanto técnica de redação não é tão ruim, as informações são fornecidas a tempo para o público, de forma completa, a trama é repleta de sangue, paixão, e dor, que até me remeteram à Shakespeare em alguns momentos, mais especificamente a tragédia Coriolano, que segue essa linha de problemas pessoais que se cruzam com problemas políticos, e é tão sangrenta e apaixonada quanto, ao passo que o roteiro poderia sim ser mais rápido, afinal, 3 horas de duração é muito tempo.

Do trio que assina o roteiro, Jay Cocks (A Época da Inocência, Estranhos Prazeres, Silêncio), Steven Zaillian (A lista de Schindler, Hannibal, Missão Impossível), e Kenneth Lonergan (Máfia no Divã, Margaret, Howards End), dois são ativistas políticos de esquerda, Cocks dos direitos humanos, Lonergan ativista ambietal na agência estatal EPA, ao passo que Zaillian apresenta-se hora como socialista, hora como conservador, e evita entrar no assunto política.

A fotografia de Michael Ballhaus (A Última Tentação de Cristo, A Era da Inocência, Departed) foi boa sim, mas ele errou nas tomadas de abertura de câmera, que não passaram a ideia completa da dimensão dos cenários, cenas onde grupos se reuniram para lutar a sensação foi de estar perdido, o erro fica pior nas cenas de guerra, a formação na imaginação ficou prejudicada, faltou informação, mas de forma perdoável, pois em todas as tomadas de câmera fechada a emoção foi muito bem retratada.

Howard Shore (O senhor dos anéis – toda trilogia, O silêncio dos inocentes, Seven) conseguiu uma trilha sonora marcante em alguns pontos, principalmente nos picos emocionais de ação, mas faltou nos momentos de romance e paixão, neste ponto ficou seco, sem graça, e poderia ter sido melhor, mas ainda assim o trabalho musical foi bom.

A edição de Thelma Schoonmaker (Raging Bull, The Aviator, The Departed) ficou prejudicada pelo trabalho de fotografia, na verdade ela deve ter feito um grande esforço para não deixar o público perdido, sobretudo nas cenas de guerra, a argelina-americana septuagenária mereceu muitos elogios nesse trabalho.

Leonardo DiCaprio deixou muito a desejar, atuou longe do esperado, como protagonista não vestiu o personagem Amsterdam Vallon, que possui uma curva dramática com dois picos emocionais, primeiro ao perder o pai na infância diante dos seus olhos, em seguida ao ter seu rosto queimado por outro personagem, DiCaprio não alcançou a emoção que o personagem requeria, se em outros filmes ele atuou bem, neste ele foi muito mal.

Daniel Day-Lewis foi simplesmente perfeito, eu não via uma atuação convincente como a dele há muito tempo, seu odioso Bill, o Açougueiro (William Cutting), foi de fazer inveja para o próprio satanás, o sujeito é mau, ardiloso, maquiavélico, e sobretudo cruel: é visceral. Day-Lewis atuou monstruosamente, e só por seu vilão já vale a pena assistir o filme.

Quem definitivamente roubou a cena, foi a feminina de olhos doces, e esperta sobrevivente, Jenny Everdeane, interpretada por Cameron Diaz. A atriz ensinou como se faz uma anti-heroína aqui, para nenhuma mulher botar defeito, o homem que afirmar não ter desejado um beijo de sua personagem, está mentindo.

Seria uma grande injustiça não elogiar a atuação de Liam Neeson, com o Pastor Vallon, que aparece muito pouco para ser eternizado, o filme consiste quase inteiro na marca de seu personagem, ele não está lá fisicamente, mas tudo gira em torno dele, a atuação é forte o suficiente para fazer DiCaprio parecer um ator de fraldas.

Martin Scorsese (Taxi Driver, Raging Bull, Goodfellas) é um veterano diretor, consagrado em Hollywood, talento tem de sobra e comprovado, orquestrar essa equipe de talentos antigos com estrelas emergentes, foi com certeza um desafio, e ele conseguiu um bom resultado. É bom lembrar que Scorsese é ativista da esquerda, ligado aos direitos humanos, desarmamentista, e direito ambiental; dirigir um filme que favorece os Democratas, certamente deve ter lhe seduzido.

A produção conseguiu para Gangues de Nova York, um orçamento de 97 milhões de dólares, relativamente baixo para a equipe contratada, e conseguiu como retorno uma bilheteria de 193 milhões, não muito alta considerando todo trabalho realizado, talvez a distorção histórica não tenha agradado muito ao público nativo americano. O filme também recebeu 10 indicações ao Oscar, mas não levou nenhuma.

Esse é mais um filme para ser assistido após adquirir maturidade intelectual, após conhecer história e filosofia política, pois sem estes conhecimentos, você será uma vítima de mentiras cinematográficas, as partes que salvam a narrativa consistem no desenho das personalidades fortes dos homens, na doçura das mulheres, e no amor sincero do casal do filme.

Uma nota 6,5 é justa.

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